(untitled)

March 19, 2012 § Leave a comment

Existem alguns conceitos que demoram a entrar na cabeça, às vezes não entram, porque não queremos aceitar. Seja por teimosia, ignorância (geralmente confundida com orgulho) ou desatenção. Não sei exatamente qual foi o meu caso (no melhor dos casos foi desatenção) até porque quando o tal conceito desceu foi em um teco só e já estava aceito, implantado no meu cérebro, como se eu já soubesse dele desde que nasci.
Acho que todo mundo já indagou a si mesmo desde “como as pessoas me veem?” (ou qualquer coisa nessa linha), até “quem eu sou”. Há quem ache essas frases desnecessárias ou muito profundas, respectivamente. Não sabem que há muito fio pra desenrolar nessas indagações. O que seria esse “eu mesmo”? Esse eu mesmo é meramente, pra mim, uma forma “bonitinha” de expor estampado em um único quadro várias imagens do seu “eu”. Você (eu estou nessa) é vários, em várias camadas, cores e erros (muitos, muitos erros).

Em todos nós habitam diferentes seres. Alguns aceitáveis, outros repugnantes. Somos o mundo todo, dentro de um corpo só. A cada situação nos portamos de uma forma diferente e peculiar; e nem todas as situações conseguem engolir, sem vomitar, quem somos – nós, e todos os outros dentro de mim. Eu, e meus heterônimos. Meus alter-egos.

 

Aí entra o conceito que demorei pra perceber que existia e tinha até nome: alteridade. Não se culpe por possivelmente não conhecer a palavra, ela é um conceito antropológico meio deixado de lado de uma forma geral. Gramaticalmente, seria o antônimo de “identidade”. Alter em latim, significa outro, na mesma linha da palavra citada lá em cima: “alter-ego”. Ele diz, basicamente, que você é um outro alguém dependendo do ponto de vista de quem te vê e julga. Ou seja, você é um monte de alter-egos seus.
Esse conceito é tão confuso e ambíguo quanto acreditar em reptilianos, aqueles homens lagartos que aparentemente dominam a terra, naquele clima de Matrix, Illuminati e coisas do gênero. Mas, bem, voltando a realidade (porque, né), alteridade é aquele tipo de coisa que, se você pensar muito sobre, vai fazer seu cérebro latejar e implorar para que você pare com essa porcaria. Porque, partindo desse princípio aí, podem existir milhões de você dentro de um só – a única coisa imutável, no caso, seria o seu corpo físico. Em um cenário simplificado, é aquele caso de que as pessoas mudam quando estão em uma roda de amigos, ou quando estão perto da paixonite, por exemplo. Não é então que elas mudem, elas só trocam a chavinha no cérebro, pelo menos de acordo com o conceito de alteridade. Então quando alguém te chamar de “duas-caras”, agradeça, porque só duas é bom perto do que é dito. Em tese, o que muda de pessoa pra pessoa é o número de alter-egos possíveis e existentes.

 

Ainda dentro disso existe algo interessante, que é a possibilidade de, a partir do momento em que você finalmente saca o conceito de alteridade, no momento em que é “adquirida”, você conseguir magicamente se colocar no lugar do outro e julgar as situações de forma mais, digamos assim, “correta”. Ou seja, você não só pode (e vai) mudar seu comportamento, como também pode mudar o seu jeito de ver as coisas, desde que você saque a alteridade das pessoas. Antropólogos gostam dessas coisas.

 

Então, no final das contas, entra aquele ditado (já é considerado ditado? eu tenho ouvido tanto isso de tanta gente diferente) de que se você é um pouco de tudo, você é nada.
“Você é tanta gente, que acaba sendo um nada”. Li isso em um artigo por aí. E discordo colossalmente. No fundo, as poucas ou muitas personalidades que temos formam uma personalidade só, formam o “eu”. Porque, afinal, aquele quadro cheio de camadas, cores e muitos erros ainda é um quadro.

Se a existência desse “eu-individual” só é permita diante de interação social (blergh), então quem é você quando está sozinho?

E não, não somos falsos. Não nos escondemos atrás de máscaras. Somos apenas mutáveis, flexíveis, adaptáveis. E o que fazer quando todos os vocês dentro da sua própria cabeça resolvem entrar em conflito? Quem nunca sentiu-se perdido, sem saber quem realmente era? Quem nunca teve “crise de identidade”? Quero ser responsável, quero ser impulsivo. Quero ser diferente, não quero ser excluído. Quero ser inteligente, quero ser descolado. Queremos o mundo todo ao mesmo tempo, pois não somos um só. Todas as personalidades são tão encantadoras que apanhamos algumas delas para nós. E nós somos megalomaníacos. E então, o que ser? Quem ser? Quando ser? Por que escolher? Fico com todas, então. Ou você acha que alguém é tão real que age o tempo todo como se ninguém estivesse vendo?

 

 

Aline Thosi Fabio Key.

Advertisements

gray sky

March 18, 2012 § Leave a comment

(song)

Look at that gray sky over my head

and tell me –

isn’t sad that I live here

on this so called land of opportunity

 

Everyday the sky seems to cry

it’s lost its white

and there are no signs

that any thing’s gonna come back

it’s only sad

 

Look at the sun hiding from us

or is it us that are hiding from it?

should it be this way?

and everything that’s pure comes away

we are turning into a gray mass

and there’s no comeback

 

Give me one real reason to live here

one real reason to stand still

losing my mind and sanity

mad people from there to here

there’s only chaos

and no dignity

 

(xx/xx/2011)  Fabio Key

alter-ego do alter-ego

March 14, 2012 § Leave a comment

Existem alguns conceitos que demoram a entrar na cabeça, às vezes não entram, porque não queremos aceitar. Seja por teimosia, ignorância (geralmente confundida com orgulho) ou desatenção. Não sei exatamente qual foi o meu caso, no melhor dos casos foi desatenção, até porque quando o tal conceito desceu foi em um teco só e já estava aceito, implantado no meu cérebro. Talvez eu já até tenha pensado sobre o assunto durante minhas longas noites rolando na cama, por causa da insônia, diga-se de passagem (e muito bem sozinho, também).
Acho que todo mundo já indagou a si mesmo desde “como as pessoas me veem?” (ou qualquer coisa nessa linha), até “quem eu sou”.
O que seria esse “eu mesmo”? Esse eu mesmo é meramente, pra mim, uma forma “bonitinha” de expor estampado em um único quadro várias imagens do seu “eu”. Você é vários, em várias camadas, cores e erros.

Aí entra o conceito que demorei pra perceber que existia e tinha até nome: alteridade. Não se culpe por possivelmente não conhecer a palavra, ela é um conceito antropológico meio deixado de lado de uma forma geral. Gramaticalmente, seria o antônimo de “identidade”. Alter em latim, significa outro, na mesma linha da palavra “alter-ego”. Ele diz, basicamente, que você é um outro alguém dependendo do ponto de vista de quem te vê e julga. Ou seja, você é um monte de alter-egos seus.
Esse conceito é tão confuso e ambíguo quanto acreditar em reptilianos, aqueles homens lagartos que aparentemente dominam a terra, naquele clima de Matrix, Illuminati e coisas do gênero. Mas, bem, voltando a realidade (porque, né), alteridade é aquele tipo de coisa que, se você pensar muito sobre, vai fazer seu cérebro latejar e implorar para que você pare com essa porcaria. Porque, partindo desse princípio aí, podem existir milhões de você dentro de um só – a única coisa imutável, no caso, seria o seu corpo físico. Em um cenário simplificado, é aquele caso de que as pessoas mudam quando estão em uma roda de amigos, ou quando estão perto da paixonite, por exemplo. Não é então que elas mudem, elas só trocam a chavinha no cérebro, pelo menos de acordo com o conceito de alteridade. Então quando alguém te chamar de “duas-caras”, agradeça, porque só duas é bom perto do que é dito. Em tese, o que muda de pessoa pra pessoa é o número de alter-egos possíveis e existentes.

Ainda dentro disso – que é um baú praticamente sem fundo, a propósito – existe algo muito mais interessante, que é a possibilidade de, a partir do momento em que você finalmente saca o conceito de alteridade, no momento em que é “adquirida”, você conseguir magicamente se colocar no lugar do outro e julgar as situações de forma mais, digamos assim, “correta”. Ou seja, você não só pode (e vai) mudar seu comportamento, como também pode mudar o seu jeito de ver as coisas.

Então, no final das contas, entra aquele ditado (já é considerado ditado?) de que se você é um pouco de tudo, você é nada.
“Você é tanta gente, que acaba sendo um nada”. Li isso em um artigo por aí. E discordo colossalmente. No fundo, as poucas ou muitas personalidades que temos formam uma personalidade só, formam o “eu”. Porque, afinal, aquele quadro cheio de camadas, cores e muitos erros ainda é um quadro.

Mas o meu questionamento principal é: se a existência desse “eu-individual” só é permita diante de interação social (blergh), então quem é você quando está sozinho?

autumn leaves

March 14, 2012 § Leave a comment

[verse 1 + 2]

Wind blows hard

your shoes were not laced

a graced little smile

and you gave itself away.

 

Afternoon wonders

over all the sights

from mountain tops to green plains

from thee to mine’s

 

with a shave across time

and the path that sets us afar?

howls adorning with lights

holding firm to the lines

that hold ‘em to the ground.

 

[chorus]

Autumn leaves

leaves me nothing to perceive,

Unaware of your thoughts

in the back of my mind.

 

Little verses of you

I seek to find

and piece to piece

and them all I hope will alight.

will your eyes notice any signs?

 

[verse 2 + 3]

Silent words

speaks your name

instead of the rhymes.

 

Have you ever seen flowers

cachet claimed

near lakes that allied?

 

Unfolded doors

for us to come in and out

a hand scrapes my arm.

and I felt I let you down,

a tale I can’t tell

weaving, regarded or lives

those shivering hands cannot write.

 

[bridge]

has any year to come

among the kids you see –

something let you down

but then don’t come to me

 

[chorus 2]

Autumn leaves

carry acorns to perceive,

for the old saying that you know well

how it goes

 

One day those mighty oaks

will stop to grow

 

When all will leave

and believe us alone in tide

– will arrive

 

[outro]

I ween you seen the shores

near the shivering sands

chosen matters or don’t really understand

the fact that, as the leaves, I won’t leave you once again

sometimes I may begone but that’s not for me to know

– not for me to know.

 

-fk

Where Am I?

You are currently viewing the archives for March, 2012 at world without coffee.

%d bloggers like this: