alter-ego do alter-ego

March 14, 2012 § Leave a comment

Existem alguns conceitos que demoram a entrar na cabeça, às vezes não entram, porque não queremos aceitar. Seja por teimosia, ignorância (geralmente confundida com orgulho) ou desatenção. Não sei exatamente qual foi o meu caso, no melhor dos casos foi desatenção, até porque quando o tal conceito desceu foi em um teco só e já estava aceito, implantado no meu cérebro. Talvez eu já até tenha pensado sobre o assunto durante minhas longas noites rolando na cama, por causa da insônia, diga-se de passagem (e muito bem sozinho, também).
Acho que todo mundo já indagou a si mesmo desde “como as pessoas me veem?” (ou qualquer coisa nessa linha), até “quem eu sou”.
O que seria esse “eu mesmo”? Esse eu mesmo é meramente, pra mim, uma forma “bonitinha” de expor estampado em um único quadro várias imagens do seu “eu”. Você é vários, em várias camadas, cores e erros.

Aí entra o conceito que demorei pra perceber que existia e tinha até nome: alteridade. Não se culpe por possivelmente não conhecer a palavra, ela é um conceito antropológico meio deixado de lado de uma forma geral. Gramaticalmente, seria o antônimo de “identidade”. Alter em latim, significa outro, na mesma linha da palavra “alter-ego”. Ele diz, basicamente, que você é um outro alguém dependendo do ponto de vista de quem te vê e julga. Ou seja, você é um monte de alter-egos seus.
Esse conceito é tão confuso e ambíguo quanto acreditar em reptilianos, aqueles homens lagartos que aparentemente dominam a terra, naquele clima de Matrix, Illuminati e coisas do gênero. Mas, bem, voltando a realidade (porque, né), alteridade é aquele tipo de coisa que, se você pensar muito sobre, vai fazer seu cérebro latejar e implorar para que você pare com essa porcaria. Porque, partindo desse princípio aí, podem existir milhões de você dentro de um só – a única coisa imutável, no caso, seria o seu corpo físico. Em um cenário simplificado, é aquele caso de que as pessoas mudam quando estão em uma roda de amigos, ou quando estão perto da paixonite, por exemplo. Não é então que elas mudem, elas só trocam a chavinha no cérebro, pelo menos de acordo com o conceito de alteridade. Então quando alguém te chamar de “duas-caras”, agradeça, porque só duas é bom perto do que é dito. Em tese, o que muda de pessoa pra pessoa é o número de alter-egos possíveis e existentes.

Ainda dentro disso – que é um baú praticamente sem fundo, a propósito – existe algo muito mais interessante, que é a possibilidade de, a partir do momento em que você finalmente saca o conceito de alteridade, no momento em que é “adquirida”, você conseguir magicamente se colocar no lugar do outro e julgar as situações de forma mais, digamos assim, “correta”. Ou seja, você não só pode (e vai) mudar seu comportamento, como também pode mudar o seu jeito de ver as coisas.

Então, no final das contas, entra aquele ditado (já é considerado ditado?) de que se você é um pouco de tudo, você é nada.
“Você é tanta gente, que acaba sendo um nada”. Li isso em um artigo por aí. E discordo colossalmente. No fundo, as poucas ou muitas personalidades que temos formam uma personalidade só, formam o “eu”. Porque, afinal, aquele quadro cheio de camadas, cores e muitos erros ainda é um quadro.

Mas o meu questionamento principal é: se a existência desse “eu-individual” só é permita diante de interação social (blergh), então quem é você quando está sozinho?

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